Repúdio ao tratamento dado ao farmacêutico

Na última quinta-feira (17), foi veiculado o episódio “Vide Bula” da série “A Grande Família”, da Rede Globo. Indignada com a forma que o profissional farmacêutico foi apresentado no programa, a Federação Nacional dos Farmacêuticos publica carta em repúdio à imagem retratada. O documento foi elaborado durante o Encontro do Conselho de Representantes da Fenafar, realizado nos dias 19 e 20 de novembro, com a presença do Sindifarma e demais sindicatos filiados à entidade. O Sindifarma apóia este manifesto. Veja abaixo o conteúdo do documento.

 

por Renata

 

A televisão é o veiculo de comunicação de massa mais poderoso de nossa sociedade. O que aparece na TV contribui de maneira determinante para formar comportamentos e pensamentos. Assim, a responsabilidade dos profissionais que trabalham na televisão, ainda que em programas humorísticos ficcionais, tem que refletir esse poder.

Por isso, não podemos deixar de registrar nossa indignação com a forma que o programa acima citado retratou o profissional farmacêutico. A Fenafar – e toda a categoria – tem realizado, incessantemente, campanhas para esclarecer a população sobre o papel do farmacêutico.

Somos uma categoria de profissionais da saúde, formados em nível superior e habilitados para pesquisar, produzir, manipular e dispensar o medicamento. Atuamos em várias etapas da sua cadeia de produção e circulação. Os farmacêuticos que atuam nas farmácias e drogarias são qualificados para orientar o usuário sobre o uso racional do medicamento, cientes dos perigos da automedicação e responsáveis por seguir as normas federais que pautam as boas práticas farmacêuticas.

Por isso, há décadas temos lutado para tornar obrigatória a presença do farmacêutico em tempo integral nas farmácias. O farmacêutico não pode ser confundido com um balconista ou um vendedor, assim como o medicamento não pode ser tratado como uma mercadoria qualquer e, também, a farmácia não pode ser tratada como um estabelecimento comercial, mas sim como um estabelecimento de saúde.

Ao abordar o tema da automedicação – assunto importantíssimo numa sociedade na qual, infelizmente, a propaganda comercial do medicamento nada tem de diferente da propaganda de qualquer outra mercadoria – a emissora de televisão deveria buscar ouvir profissionais da área para não cometer erros, como representar uma farmácia na qual os medicamentos estão ao alcance do usuário.

Quando retrata um profissional disposto a “burlar” as leis, em vigo,r que regem a venda do medicamento, ao colocá-lo como “simples farmacêutico”, a Rede Globo presta um desserviço à sociedade, reproduzindo uma visão equivocada sobre o papel imprescindível desse profissional da saúde.

A Fenafar e seus sindicatos filiados reiteraram seu repúdio à forma desrespeitosa como a emissora tratou toda uma categoria profissional e esperamos que situações como esta não voltem a se repetir.

 

São Paulo, 19 de novembro de 2011.

 

Diretoria da Federação Nacional dos Farmacêuticos
Conselho de Representantes da Fenafar

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