Xarope e antigripal não têm eficácia em crianças, dizem estudos

Remédios para resfriados não são tão eficazes como se acredita

Uma revisão de estudos da Colaboração Cochrane (organização internacional que elabora revisões da literatura médica) mostrou que as terapias mais comuns para tosse aguda e resfriado não têm evidências científicas.

Pesquisadores analisaram 27 estudos com 5.117 adultos e crianças quanto à eficácia de medicamentos para resfriado que combinam antialérgicos, descongestionantes e analgésicos.

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A conclusão é que o uso dessas drogas tem efeito limitado em adultos e crianças com mais de seis anos, provocando uma melhora de 20% a 30% dos sintomas.

Esse pequeno benefício precisa ser colocado na balança com os possíveis efeitos colaterais, como sonolência e dor de cabeça.

Para crianças mais novas, porém, não há evidência de efetividade e segurança do uso desses medicamentos.

Em relação à melhora da tosse aguda que acompanha o resfriado, outra revisão de 25 ensaios clínicos com xaropes vendidos sem prescrição (18 com adultos e oito com crianças) concluiu que não há evidências de efetividade.

Para crianças, o uso de antitussígeno, antialérgico e descongestionante tem efetividade similar a do placebo.

“A conclusão causa espanto porque esses remédios são usados há décadas e muita gente acha que funcionam”, diz a pediatra e diretora do Centro Cochrane do Brasil Edina Mariko Koga da Silva.

As revisões foram feitas pelo centro há dois anos, mas divulgadas agora.

Resfriados são doenças autolimitadas, ou seja, têm um curso determinado. São causados por vírus e duram, em geral, de sete a nove dias. Crianças menores de cinco anos que moram em zonas urbanas podem ter o problema de cinco a oito vezes por ano.

O melhor tratamento, dizem os especialistas, é o repouso e a hidratação. Os remédios, como mostram os estudos, pouco mudam a evolução da doença. Caso a tosse persista, é recomendável procurar um médico.

“Os pais sentem necessidade de fazer algo para aliviar os sintomas”, diz Clóvis Gomes, professor de pneumologia pediátrica da Unifesp. “Eles perguntam: ‘Mas não vai dar nenhum remédio?'”, completa Edina. Segundo a médica, é preciso também educar os médicos.

Curiosamente, afirma Edina, há alguma evidência quanto ao benefício do uso do mel para aliviar a tosse. Nos dois estudos incluídos na revisão do mel para tosse, com 265 crianças, foram oferecidos às crianças de 2 a 5 ml de mel antes de dormir para melhora da tosse noturna e sono em crianças. Comparando grupos que receberam o mel e outros que não receberam tratamento, o mel demonstrou benefícios na redução da tosse e na melhora da qualidade do sono. “Isso mostra que as receitas da vovó têm lá sua razão.”

Fonte: www.folha.com.br